[Black Archive #01] Extermínios




BLACK ARCHIVE
Quintas-Feiras Negras | Arquitectura e destruição
Black Thursdays | architecture and destruction
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#Sessão 01 | extermínios | Exterminations
Dr.Strangelove, How I learned to Stop worrying and love the bomb
Stanley Kubrick, 1964
FAUP | 06.10.2011
Apresentação \\ Presentation
Vídeo
Sessão 1 FAUP – Auditório Fernando Távora
Filmes \\ Movies
Arquivo de Imagens \\ Images Archive
Fotografias \\ Photos
BLACK ARCHIVE
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[Black Archive #01] Kubrick // Benjamin \ Pedro Bismarck



Pedro Levi Bismarck
Kubrick // benjamin
Fantasmas, vestígios, imaginários

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Mas a questão que talvez nos interesse, enquanto arquitectos, não é tanto a compreensão da cartografia complexa que faz o fundo da Guerra Fria, mas a compreensão que todas as épocas têm um fundo e um inconsciente colectivo complexo, são feitas de imaginários próprios obscurecidos no discorrer dos acontecimentos. E, por isso, aquilo que nos interessa é, sobretudo, uma questão metodológica que se situa algures nesse lugar onde o trabalho de Stanley Kubrick encontra o de Walter Benjamin. Um método benjaminiano e kubrickiano, um método de investigação e de criação que assenta nessa capacidade de penetrar nos imaginários colectivos, nesse modo de des-velar vestígios e fragmentos, de escavar o terreno das imagens e das histórias.
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Bikini
A 5 de Julho de 1946, Louis Réard, um engenheiro automóvel que geria a pequena loja de lingerie da mãe, mesmo ao lado das Folies Bergères em Paris, apresenta nas Piscinas Molitor, uma inusitada invenção: o mais pequeno fato de banho de sempre, duas peças individuais com pouco mais de 70cms de tecido.
Uns escassos dias antes, a 1 de Julho, os Estados Unidos iniciam, nas Ilhas Marshall, a operação Crossroads, lançando a primeira bomba atómica desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Mas, o que podem ter em comum, para além da proximidade cronológica, estes dois acontecimentos aparentemente tão distintos? Pelo menos uma coisa, ou melhor, um nome: Bikini. Bikini, o nome da invenção de Louis Réard, e Bikini, o nome do pequeno Atol, palco de uma série de testes nucleares ocorridos entre 1946 e 1958. Mas talvez o nome não seja uma mera coincidência, mas antes o relevo escondido da cartografia imaginária de uma época. Valerá a pena olhar, brevemente, para a história destes dois acontecimentos e procurar compreender o que é que, de facto, une essa constelação no mínimo invulgar entre o bikini e a bomba atómica, mas também entre Stanley Kubrick e Walter Benjamin.
1 de Julho de 1946, Atol de Bikini, Ilhas Marshall
A 1 de Julho de 1946 é lançado o Test Able, 1ª fase da Operação Crossroads, a explosão da primeira bomba atómica no Atol de Bikini. Até 1958 foram detonadas, nesta pequena ilha do Pacífico, um total de 23 engenhos nucleares, obrigando à deslocação e à errância da população indígena pelas ilhas adjacentes por mais de 40 anos. Este foi o primeiro teste nuclear desde Hiroshima e Nagasaki, amplamente divulgado e assistido por uma extensa comitiva da impressa internacional. Algo absolutamente inédito e que marcou a agenda mediática desses primeiros dias de Julho. Era, podemos dizer, o início de uma nova época, o início da Guerra Fria, uma guerra “jogada” neste território recém-inaugurado dos mass media. Em 1954, tem início a segunda operação, Castle Bravo, que detonou pela primeira vez a bomba de Hidrogénio, tendo sido a explosão nuclear mais forte de sempre, ultrapassando todas as previsões iniciais e criando uma intensa contaminação radioactiva. A partir dessa data, pela crescente pressão pública, os testes foram parando progressivamente até serem interrompidos em 1958. Mas ficou a contaminação dos solos, os efeitos nefastos para a saúde pública, e ficaram as imagens tão inocentes quanto terríveis, tão banais quanto aparentemente silenciosas.
5 de Julho de 1946, Piscinas Molitor, Paris
Ao mesmo tempo, em Paris, Louis Réard, vivendo os tempos optimistas do pós-guerra, apresenta a sua ‘escaldante’ invenção. Réard tinha ido mais longe que o seu rival Jacques Heim que, meses antes, tinha apresentado aquele que era o mais curto fato de banho de sempre, e que por isso mesmo, por ser tão infimamente pequeno, tinha sido apelidado de átomo. Para Réard, superar a invenção do seu rival, isto é o átomo, era de facto um acontecimento único, separar e dividir as duas partes do maillot de bain mais pequeno de sempre, era, literalmente, dividir o átomo: a partir daqui a analogia com o imaginário atómico torna-se evidente. E as interpretações e os slogans proliferaram construindo a imagem, que essa nova invenção, o bikini, era de facto, um acontecimento verdadeiramente explosivo. E, de facto, foi, tão revolucionário e radical, que Réard não só não conseguiu convencer qualquer modelo para o vestir (teve de recorrer a uma bailarina exótica do casino de Paris, Michele Bernadin), como as vendas se revelaram um completo fracasso. Restou a consolação das cerca de 50 mil cartas de fãs, maioritariamente masculinos, que receberam a invenção com bastante entusiasmo.
Tiveram de passar 15 anos para que a invenção de Réard fosse aceite nos Estados Unidos e na generalidade dos países europeus, mas a partir desse momento foi um rápido caminho até se tornar símbolo de uma nova geração feminina emancipada, liberal, descomprometida; símbolo de uma cultura pop em emergência, imortalizada nessa popular música de Brian Hyland, lançada em Junho de 1960: “Itsy Bitsy Teeny Weeny Yellow Polka Dot Bikini”.
Guerra Fria: “Destruição de massas” e “distracção de massas”
O que torna estes acontecimentos aparentemente tão diferentes tão próximos não é, apenas, a partilha de um nome e de uma cronologia, mas o facto de terem sido invenções que pelo seu impacto marcaram uma época e construíram o fundo de um imaginário colectivo. Eles pré-figuram, antes do tempo, o começo dessa nova época e são, nesse sentido, aquilo que Walter Benjamin (seguindo Goethe) chamaria, ‘Ur-Phänomen’ (1), pré-fenómenos de uma época e de uma cultura por vir: da cultura pop dos anos 60 e da cultura de medo da guerra fria. Eles adivinham, pré-formam, preparam o terreno, ainda nos anos 40, ainda em 1946, para o que vai ser essa cultura da chamada pós-modernidade.
Perceber como uma mesma época pode associar a um mesmo nome – bikini – eventos tão desesperadamente distintos, tem tanto de incompreensível como de paradoxal, sobretudo porque é, precisamente, nessa relação entre bomba e bikini que se encontra o fundamento de toda esta nova época. Que Réard possa chamar à sua invenção bikini, não demonstra apenas a habilidade que esta nova era tinha para o golpe publicitário, mas revela uma alteração cultural decisiva, numa sociedade que começa absorver silenciosamente no seu inconsciente colectivo os grandes desastres da segunda guerra e que se confronta quotidianamente, com a tensão crescente e silenciosa das bombas atómicas detonadas contra o espaço público dos mass media.
Se, por um lado, a bomba atómica é a face mais visível de uma nova cultura de terror permanente, uma atmosferização do medo que ocupava a vida quotidiana, o Bikini representa uma vontade de libertação e emancipação, uma cultura de hedonismo e prazer que en-cobre a consciência colectiva da presença de um abismo iminente. Bikini e Bomba não são apenas símbolos de uma época, são a face de um mesmo processo, que se revela na “destruição de massas” e na “distracção de massas” (2), e inscrevem, em si, todo o fundamento desta época: um espaço confuso e indistinto que se cria entre medo absoluto e prazer total, entre hedonismo e terror, entre emancipação e o desejo de um esquecimento do presente e do passado (o consumismo responde a isso da melhor forma: a vida quotidiana é agora reduzida ao tempo dos electrodomésticos).
Assim, o fundamento desta época, não está tanto nessa nova cultura de hedonismo como escape ao terror iminente da bomba, mas na criação de um espaço absoluto de indistinção. Como escreve inteligentemente Beatriz Colomina em Cold War Hot Houses: «Toda a Guerra Fria ofusca a distinção entre trabalho e jogo, negócio e entretenimento, aplicações e brinquedos, edifícios e casas de bonecas. As empresas imobiliárias costumavam dar aos seus clientes casas em miniatura para estes poderem brincar e fantasiar todas as possíveis combinações da sua futura casa. Os fabricantes desenvolveram sistemas reconfiguráveis em vez de mobiliário fixo. O consumidor era tratado como um decisor criativo, inteligente e lúdico. De facto, todo o artefacto do pós-guerra é uma espécie de brinquedo, desde o Tupperware ao Programa Espacial. A cultura americana e os seus brinquedos: cada um, parecendo banal e mesmo frívolo, mas cada um oferecendo pistas para a ampla e escura era que os produziu. Colocados aqui como descobertas arqueológicas, estes objectos menores da vida quotidiana constroem um novo tipo de retrato da Guerra Fria. Cada brinquedo estabelece um tipo diferente de jogo defensivo – o jogo/brincar não como um escape à tensão da Guerra Fria mas como o seu próprio modus operandi». (3)
O fio de ariadne que prende secretamente e terrivelmente o bikini e a bomba atómica, é o fundamento de uma época que, acima de tudo, ofuscou todas as distinções, todas as fronteiras e limites, entre negócio e divertimento, entre objecto e brinquedo, entre guerra e weekend, e, em última análise, entre bomba e bikini. São ambos um mesmo objecto, um jogo no espaço mediático da geo-política e do geo-corpo. É esse o fundamento desta época, o preço a pagar pelo trauma quotidiano da presença iminente do abismo, pelas imagens demasiado terríveis mas ainda silenciosas dos campos de concentração, da guerra e da bomba atómica.
Benjamin e Kubrick: Fantasmas da (pós)/modernidade
Ora, é precisamente essa banalidade do mal e esse imaginário colectivo da Guerra Fria, que Kubrick expõe comicamente e tragicamente no filme Dr. Strangelove: essa confusão fantasmática entre loucura e sanidade, divertimento e política, destruição e criação. E a personagem do Dr. Estranhoamor, é o corpo dessa indistinção, de uma ciência sem ética e sem verdade, de um vazio moral tecnológico, que a cultura da época procurou sempre relativizar.
O que se torna absolutamente interessante na abordagem de Kubrick, e que nos interessa particularmente, é que Kubrick é, sobretudo, um autor de imaginários. Tal como Walter Benjamin penetrou profundamente no imaginário fantasmático do século XIX, para compreender a sua própria época (4), também Kubrick traça a cartografia dos fantasmas secretos que habitam e fazem o inconsciente colectivo da pós-modernidade, não apenas aqui, em Dr.Strangelove, mas também em 2001:Odisseia no Espaço, Laranja Mecânica, Shinning e Eyes Wide Shut. Kubrick revela e expõe esses fantasmas, satiriza-os. O próprio título e subtítulo deste filme: Dr.Strangelove, or How I learned to Stop worrying and love the bomb, são já a exploração destes fantasmas da Guerra Fria, essa relação tão sentimental como amorosa que se estabelece com a bomba, como se esta na sua fatalidade tivesse qualquer coisa de absolutamente feminino.
Aliás, todo o filme está carregado de uma constelação erótica e sexual, desde o título ao nome das personagens (como Jack Ripper, recordando o conhecido violador londrino, ou o nome do primeiro-ministro russo: Kissoff – kiss..off), passando pela  própria narrativa das imagens, que não pretendem constituir um registo cómico imediato, mas expor essa indistinção de fundo da Guerra Fria, onde o lúdico se confunde com o político, onde o prazer se confunde com o medo, e onde tudo é parte de um “jogo”, como diria Beatriz Colomina, de uma montagem lúdica de ensaios, experimentos, objectos e brinquedos. Uma indistinção entre vida e morte, entre perigo e salvação, entre bikini e bomba.
Mas a questão que talvez nos interessa, enquanto arquitectos, não é tanto a compreensão da cartografia complexa que faz o fundo da Guerra Fria, mas a compreensão que todas as épocas têm um fundo e um inconsciente colectivo complexo, são feitas de imaginários próprios obscurecidos no discorrer dos acontecimentos. E, por isso, aquilo que nos interessa é, sobretudo, uma questão metodológica, que se situa algures nesse lugar onde o trabalho de Stanley Kubrick encontra o de Walter Benjamin. Um método benjaminiano e kubrickiano, um método de investigação e de criação que assenta nessa capacidade de penetrar nos imaginários colectivos, nesse modo de des-velar vestígios e fragmentos, de escavar o terreno das imagens e das histórias. Ler – nas palavras de Hoffmansthal e Benjamin – o que não foi escrito, para compreender a época e o tempo em que vivemos (5). Diria que Kubrick e Benjamin são, sobretudo, descobridores de fantasmas, descobridores desse imaginário colectivo que em cada tempo e em cada lugar movimenta as culturas e as épocas.
Eames. Modus operandi: o jogo
Foi de certo modo isso que, durante os anos 50 e 60, fizeram Ray e Charles Eames. A sua ideia de design assinala a compreensão desse imaginário colectivo que fazia o fundo opaco da guerra fria. O reconhecimento do “jogo” como modus operandi essencial desse tempo, e o reconhecimento que qualquer resposta só poderia partir daí. Como escreve Beatriz Colomina, em Cold War Hot Houses, para os Eames o “jogo” era, sobretudo, uma “terapia” e a “arquitectura deveria ser re-orientadora, absorvedora de shock”: “isto era”, diz Beatriz, “o que os Eames argumentavam que deveria ser o papel da casa, uma definição que é difícil de conceber sem pensar na guerra” (6). Um “jogo” que não tem um carácter lúdico mas assinala, sobretudo, o caminho de um processo de recuperação da noção de experiência como modus fundamental de concretização do fazer lugar e do fazer casa. “Jogo”, como modus de activação da experiência/experimentação do homem perante as coisas, como modo de apropriar-se das coisas e do mundo, fugindo da abstracção tecnológica das vanguardas e procurando fundar o doméstico como experiência fundamental do construir o lugar, do fazer-se em casa. Não será por isso tão estranho que ao mesmo tempo que o Casal Eames termina a sua casa em Santa Mónica (1949), Aldo van Eyck esteja a desenhar a primeira série de parques infantis para a cidade de Amesterdão, seguindo a mesma valorização do “jogo” e da experiência/experimentação na concretização dos seus espaços arquitectónicos e urbanos.
Método: ler o que não foi escrito
Assim, talvez não seja de excluir a possibilidade que a tarefa do arquitecto tenha de passar necessariamente por esse trabalho, por esse método benjaminiano e kubrickiano, isto é, traçar a cartografia indecifrável dos fantasmas da nossa época, pensar a constelação secreta do tempo presente, ler o material inconsciente que se acumula no algures do quotidiano, ler o que não foi escrito. E ir além da imitação sem fim dos modelos, ir além do entretenimento e do prazer das imagens sem espessura, sem imaginário e sem arquitectura das revistas. Construir um exercício de observação desse inconsciente colectivo, desvelar esses fantasmas, para que a casa e a arquitectura possam ser, em primeiro lugar, e simultaneamente, uma resposta a este tempo e a esta época. Um exercício que não pertence nem ao domínio da ciência nem da técnica, um exercício que não é meramente programático nem estético, mas que só pode ocorrer dentro daquilo que habitualmente chamamos arte e poética, e sem o qual nenhuma verdadeira arquitectura poderá sobreviver.
Como escreveu Ignasi Solà-Morales: «Pode-se desenvolver uma crítica interna, um discurso articulado debaixo dos grandes debates do pensamento contemporâneo e das crises que neles se geram? É uma ilusão mas é também uma necessidade. Os juízos não se podem subtrair aos parâmetros mais gerais do debate cultural. Pensar que se pode isolar um espaço de análise, de problematização e de articulação interna da disciplina à margem das correntes do pensamento contemporâneo é um puro engano, um defensivo posicionamento que auto-exclui a arquitectura e os arquitectos do universo da cultura». (7)




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Imagens
1. Fotograma do Filme Dr.Strangelove
2. As Arcadas Parisienses
3. Louis Réard apresentando a sua invenção
4. O casal Eames
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Notas
(1) O conceito goethiano de Urphänomen é reutilizado/recuperado por Benjamin em Passagen-Werk e é um conceito fundamental da obra benjaminiana designando os pré-fenómenos originários onde estão contidos as sementes do tempo por vir; no caso de Passagen-Werk, o século XIX como a pré-figuração da cultura de massas do século XX.
(3) Beatriz Colomina, Cold War, Hot Houses.
(4) Em Passagen-Werk, Walter Benjamin abre uma história não das grandes personagens e dos grandes acontecimentos mas do inconsciente colectivo de uma época, dos seus desejos e aspirações secretas que a tecnologia vai dando corpo. Mas esta é em si mesmo uma época dominada por fantasmagorias: dos fantasmas, reflexos, espectros que deambulam na nova paisagem de vidro das Passagen e das feiras internacionais; do carácter imaterial e “místico” da nova economia capitalista baseada no “valor de troca”, e não mais no “valor de uso”. É neste inconsciente colectivo que Benjamin aprofunda a sua investigação, cruzando-o permanentemente com uma análise das novas técnicas construtivas, materiais e ambientes. Cf. Georges Teyssot, Os interiores e a fantasmagoria das coisas.
(5) Frase de Hoffmannsthal citada por Walter Benjamin (em A imagem dialéctica) e título do livro de João Barrento, Ler o que não foi escrito. Conversa inacabada entre Walter Benjamin e Paul Celan: «Se quisermos olhar a História como um texto, então aplicar-se-á a ela o que um autor recente diz dos textos literários: em ambos o passado depositou imagens comparáveis às que foram fixadas numa chapa sensível à luz. Só o futuro tem reveladores suficientemente fortes para fazer emergir a imagem em todos os seus pormenores […] O método histórico é, assim, filológico, e assenta sobre o livro da vida. Hofmannsthal fala de “ler o que não foi escrito”. O leitor que assim lê é o verdadeiro historiador».
(6) Beatriz Colomina, Cold War, Hot Houses.
(7) Ignasi Solà-Morales, Sadomasoquismo. Critica y prática arquitectónica.
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Texto escrito para a apresentação do filme de Stanley Kubrick, Dr.Strangelove, na 1ª sessão do ciclo “Black Thursdays: Arquitectura e Destruição”, FAUP, 06 de Outubro de 2011.
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Pedro Levi Bismarck  (Porto, 1983)
Arquitecto pela FAUP. Estudou e trabalhou em Berlim. Está actualmente a desenvolver a sua tese de doutoramento na FAUP, sendo Bolseiro da FCT. Vive no Porto.

Destruction: a work in progress \ José Bártolo




José Manuel Bártolo
Destruction:
A work in progress


There is a kind of vital experience – time and space experience, of us and of the others, of life possibilities and dangers – that is shared by women and men all over the world, today. To this group of experiences we can call contemporaneity. Maybe we, the contemporary, aren’t living something substantially different from the ones that came before the ones that came before us – the moderns – lived.

The environmental experience of the contemporaneity – in what it has of return to the modern and of awareness of the impossibility of such return – is marked by the crisis and resistance to the models, categories and values that – from the political to the economical, from the religious to the artistic – drive ourselves into a confrontation with forms of production, circulations and archive that, echoing Marx suggest us, that everything that is solid melts in the air.

For the ones that have come before us and after the moderns, the dissolution was not an anguishing shadow, but a whole program. The reduction to the concept, carried out by a young generation of artists and architects by the end of the 50’s, expressed such programmatic concern of returning, by radical means, to the modern project original concern of constructing the synthesis between life and art, being this twentieth century second half neo-avant-garde ideologically closer to the XIX century utopists than of the historical avant-gardes from the beginning of the last century.

The object destruction was the recurring strategy in this reduction to the concept process that Luccy Lippard describes very well, in full process, in the beginning of the 70’s [1]. The objectives pursued by the conceptual program were diverse but, as recalls Suzi Gablik, “depriving the works of art from their aura or singularity and, therefore, preventing that they transform themselves in objects of consumption, was one of the main objectives of the conceptual art” [2]. As Robert Barry expressed, in 1968, “the world is full of objects and I don’t intend to add any other”. This trail, we know it now, would reveal us some perversions. The dematerialization, but mostly the destruction of the artistic object, through an anti-artistic intervention over an object (everyday object or work of art) instead of removing it from the commercial chain, exempting it from the condition of good, generated a new value dimension (ironically, a certain aura) that, rapidly, would find its own production system, circulation, trade and archive. To the production of objects, the conceptual art, intended to oppose two alternative creative processes: the production of ideas and the destruction of pre-existing objects. In 1969, Robert Barry presented his Telepathic Piece that consisted in the effort of “communicate, by telepathy, a work of art.” Three years later before the presentation of the Telepatic Piece, Gustav Metzger organized in London the DIAS – Destruction in Art Symposium – particularly animated by actions as Painting with Explosion in which Pro-Diaz proceeded to some creative detonations or by the Viennese Actionists performances that aimed, as well, a kind of explosion through the abrupt liberation of big amounts of energy”.

The recourse to explosion was one of the most symbolical means and radically actual of the contemporary art, working with a referential triangle that dominates the second half of the twentieth century culture – energy/production/consumption. The approach to the literality and to the explosion imaginary and through it the construction of creative processes based in the controlled and intentional act destruction built one of the most contusing representations of the contemporary culture, that Peter Sloterdijk, already in this century, called the fast burn culture.

The destruction of the object by the contemporary art appears, in this way, as a representation, between the melancholic and the unusual, of a process of fast combustion, explosion and destruction of enormous amounts of energy that characterizes the industrial and liberal culture of the XX century. The forms of destruction were, as we know, the most diverse, as very well enunciates Metzger in the Manifesto Auto-Destructive Art of 1960: “Materials and techniques used in creating auto-destructive art include: Acid, Adhesives, Ballistics, Canvas, Clay, Combustion, Compression, Concrete, Corrosion, Cybernetics, Drop, Elasticity, Electricity, Electrolysis, Feed-Back, Glass, Heat, Human Energy, Ice, Jet, Light, Load, Mass-production, Metal, Motion Picture, Natural Forces, Nuclear Energy, Paint, Paper, Photography, Plaster, Plastics, Pressure, Radiation, Sand, Solar Energy, Sound, Steam, Stress, Terra-cotta, Vibration, Water, Welding, Wire, Wood.”

This “drop drop dropping of HH bombs” was, in this way, developed in several ways: by dissolution (as in the Metzger or Mark Boyle and Joan Hill paintings with acid); by incineration (as in the Pyromania Projects of Ben Vautier, in the Burnt Instruments of Armand or in the Peintures de Feu de Yves Klein); by split (as in the project Passage of Saburo Murakami); by smashing (as in the works of César Baldaccini or John Chamberlain); by dismantle (as in the Piano Destruction of Rafael Ortiz); by cut (as in the compositions of Arman); by penetration (as in the anti-buch of Herbert Zangs); by strangulation (as in the Implosions of Ewert Hilgemann) and finally by explosion, recourse that from the Hommage à New York (1960) of Jean Tinguely to the recent works of Kendekk Geers is still recurrent.

To Metzger the auto-destructive process was a path to the total conception, being the idea, by chance paradoxically, of a total conceptual work of art, slowly defined since mid 50’s: “Auto-destructive art is primarily a form of public art for industrial societies. Self-destructive painting, sculpture and construction is a total unity of idea, site, form, color, method, and timing of the disintegrative process.
Auto-destructive art can be created with natural forces, traditional art techniques and technological techniques. The amplified sound of the auto-destructive process can be an element of the total conception. The artist may collaborate with scientists, engineers.
Self-destructive art can be machine produced and factory assembled.
Auto-destructive paintings, sculptures and constructions have a life time varying from a few moments to twenty years. When the disintegrative process is complete the work is to be removed from the site and scrapped.” [3].

In 1973, after a decade of massive destruction, the energetic crises confront us radically with the crisis of over-abundance It will not be simple coincidence, the fact that the Post-modernity affirms itself, through Charles Jencks, in the same year that the oil crisis reaches its peak. An organization paradigm of the energy/production/consumption referential triangle, that reached a declared exhaustion. Almost forty years after this point of exhaustion, there was no real paradigm modification. The creative processes of intentional and controlled destruction were gone in the last three decades extinguishing it and becoming merely residuals. We remain inside a fast burn culture, but evolved in the vertigo of this combustion, maybe we lost the ability of representing it and potentially create a critical alternative.

After this experience of critical destruction, to us, it seems only to be left the experience of keep the ashes or to free them in the air.

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1- Lucy Lippard, Six Years: The Dematerialization of the Art Object from 1966 to 1972, London, 1973.
2 - Suzy Gablik, Ha muerto el Arte Moderno?, Herman Blume, Madrid, 1987, pp. 39.
3 - Gustav Metzger, “Auto-destructive art manifesto”, 1959. Available online: http://www.391.org/manifestos/1959metzger.htm.

Image: Poster of The Destruction in Art Symposium (DIAS), London, 1966, organized by Gustav Metzger.

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José Manuel Bártolo (1972)
Develops work of investigation, teaching and curatorship in the areas of contemporary art, architecture and design. It’s author of the blog Reactor (www.reactor-reactor.blogspot.com) of the books Corpo e Sentido and Design and editor of PLI Magazine.

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Building Imploded, Political Vacuum | Paulo Mendes





< building imploded [ ] political vacuum >


16.12.2011 . Bairro do Aleixo . Porto
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PAULO MENDES
Nasceu em Lisboa em 1966. Trabalha em Lisboa e no Porto. Artista plástico de formação, comissário de exposições e produtor de projectos culturais. Fundador e membro da direcção da PLANO 21 Associação Cultural.

+ info : site

Aleixo: O início do fim | Ana Lima



Ana Santos Lima
ALEIXO
O INÍCIO DO FIM

O bairro do Aleixo foi construído nos anos 70 com o objectivo de realojar temporariamente a população urbana da Ribeira-Barredo – em pleno centro histórico do Porto - aquando a sua renovação. Uma vez que este processo de reabilitação implicava uma redução significativa do número de habitações, a maior parte das famílias nunca voltou à sua origem. No seu início, o Aleixo foi aclamado e publicitado por constituir uma experiência isolada e inovadora na cidade do Porto: pela sua construção em altura, pela sua localização sobranceira ao rio e pelos equipamentos propostos de apoio às torres (apesar de alguns nunca terem sido construídos). O desenho e implantação da construção cumpriram o Plano Director de 1962 que o urbanista francês Robert Auzelle, a convite da Câmara do Porto, desenhou para a então periferia da cidade. Hoje vemos a história revisitada.
Ao longo dos anos, o bairro foi começando a ser gradualmente “demonizado”, difamado, estigmatizado e desmoralizado pelas razões que todos conhecemos – ou que a comunicação social fez questão de enumerar - ao ponto da demolição ser encarada como “a” panaceia e, consequentemente, ir adquirindo um forte apoio público. Contrária a esta ideia, propus uma possível alternativa à demolição do bairro do Aleixo, em 2007, na Prova Final de Licenciatura em Arquitectura da FAUP.
No desenvolver da minha investigação reconheci o desenho cuidado do projecto, confrontei-me com certas especificidades - como o encanto e magia do saguão interior – e observei o apreço dos moradores pelo seu espaço e as maneiras criativas como dele se apropriavam. Isto fez-me pensar o quão aberrante seria a sua demolição. Ao inquirir os moradores, todos manifestaram a sua tristeza em relação a este tema e o desgosto de algum dia terem que ser realojados. Inevitavelmente, está aqui em causa um conceito extremamente delicado que é o de “habitar” – com todo o significado, sensação de pertença e identificação que este conceito acarreta. A meu ver, uma demolição é, neste sentido, o mais violento e traumatizante acto que se pode praticar em relação a pessoas já fragilizadas por situações económicas e sociais difíceis.
Durante a pesquisa para a minha tese deparei-me com um estudo que ainda não tinha sido, na altura, divulgado em Portugal, dos arquitectos Lacaton & Vassal e Frédric Druot para o Ministério da Cultura Francês1. Eles questionavam o programa público francês de demolição em massa de grande parte dos complexos habitacionais, construídos nos anos 60 e 70, com o objectivo de transformar a imagem depreciativa que foram adquirindo ao longo dos anos. Nesse ensaio, fortemente apoiado em estudos económicos e de viabilidade, demonstram que a recuperação dos bairros e das estruturas existentes é compensatória, a todos os níveis, em relação à demolição.
Ora, a questão que coloquei na altura foi a seguinte: se nos anos 70 adoptámos, com o Aleixo - e através de um urbanista francês - um modelo de habitação social que em França já se refutava e questionava largamente (e o que temos é apenas um pequeníssimo exemplo), então porque não acompanhar seriamente as soluções que hoje em dia se debatem em França e noutros países da Europa e que estão a ser postas em prática com excelentes resultados?
A proposta para o Aleixo tem por base o estudo acima mencionado. De forma a não fragilizar a estrutura existente, propus apenas a demolição das fachadas exteriores e a construção independente, numa estrutura leve, de uma segunda fachada, distando aproximadamente 3m da existente, para onde os apartamentos iriam crescer em área útil, em conforto e em novas infra-estruturas. Pretendia que fosse uma co-construção com os próprios moradores onde a imagem final do conjunto seria o espelho e o resultado dessa riqueza e diferença de modos de vida.
Como projecto de arquitectura foi um exercício interessante. Dada a complexidade do tema, para o projecto ser implementado seria essencial a arquitectura fazer parte de uma equipa multidisciplinar, onde cada técnico pudesse contribuir para uma solução conjunta. Imaginei a metamorfose do bairro do Aleixo como um exemplo de reabilitação (tal como outrora foi um exemplo de construção), uma transformação e um trabalho profundo com o existente, que pudesse ilustrar e se fizesse acompanhar pela evolução das políticas urbanas.
Ao longo dos anos fui-me mantendo atenta às decisões para o futuro do bairro. Curiosamente, à medida que a demolição do Aleixo se ia tornando mais real, o projecto-piloto dos Lacaton & Vassal ia sendo concretizado. A Torre Bois-le-Prêtre, erguida ao longo de uma auto-estrada periférica de Paris, cuja transformação foi o palco da experiência dos fundamentos do estudo anteriormente referido está recentemente a receber prémios consecutivos, dada a inovação e inteligência da sua transformação.
Por cá traçou-se o fim do Aleixo. Assumiu-se a passagem de uma “guetização”, consequência involuntária da circunstância deste bairro social para uma “guetização” voluntária de um condomínio de luxo. Não é “só” o fim do Aleixo. É o fim da participatividade, da reutilização, da liberdade, da transparência económica, da solidariedade social, da tolerância à diferença, da atenção às pessoas e ao que existe, da coragem política. É a ode ao umbigo, à ostracização, à superficialidade, à corrupção, à prepotência, à gentrificação, à insensibilidade e habitação (anti)social, ao desrespeito e enfraquecimento do património.
Iniciou-se a demolição do Aleixo.
A dor, a tristeza e a revolta não desaparecem com a implosão das torres. Uma implosão aparentemente precisa, que se descontrola (invisível aos olhos) na catástrofe do seu significado e na perversão das suas consequências.

“Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa,
uma só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida. (…)”    
Herberto Helder


Notas
1-DRUOT, Frédéric; LACATON, Anne; VASSAL, Jean-Philippe. PLUS. Les grands ensembles de logements. Territoires d’exception. Ministère de la Culture et de la Communication, Direction de l´Architecture et du Patrimoine, 2004
Fotografias da autora.
___________
Ana Santos Lima (Porto, 1980)
É licenciada pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, cuja Prova Final de Licenciatura, intitulada "A Metamorfose das Torres do Aleixo" lhe valeu uma menção honrosa na VI Bienal Ibero-Americana de Arquitectura e Urbanismo (BIAU). Trabalhou na Suiça e em Tóquio. Neste momento trabalha no Porto.



Prática(s) de Arquitectura \ Conferências


 

PRÁTICA(S) DE ARQUITECTURA
Projecto, Investigação, Escrita
Ciclo de lições
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Fevereiro - Junho | FAUP | Porto
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Parte 1
29 Fevereiro [15h]
Gonçalo Canto Moniz
José Miguel Rodrigues
Marta Oliveira
1 Março [18h30]
Jorge Figueira

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Parte 2
15 Março [21h30]
Jacques Lucan
19 Abril [21h30]
Francisco Jarauta

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Parte 3
26 Abril [21h30]
Maurici Pla
3 Maio [21h30]
Luis Santa-Maria
17 Maio [21h30]
Luz Valderrama
24 Maio [21h30]
Federico Soriano
29 Maio [21h30]
Jean-Philippe Vassal

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Parte 4
31 Maio [21h30]
Alexandre Alves Costa
6 Junho [21h30]
Anthony Vidler


*Vittorio Gregotti (data a definir)
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O colectivo de estudantes da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), sob orientação científica do Prof. Doutor Manuel Mendes e co-organização da Associação de Estudantes e Direcção da FAUP, apresenta o ciclo internacional de 14 lições, intitulada "Prática(s) de Arquitectura - Projecto, Investigação, Escrita", que decorrerá entre o final de Fevereiro e Junho de 2012, na FAUP. Esta acção é apoiada institucionalmente pela Reitoria da Universidade do Porto e pela Ordem dos Arquitectos (Secção Regional do Norte).
Presente a condição histórica de um lugar, de uma comunidade particular – o Porto – queremos tomar como referência a “aventura comum percorrida por três personagens” – Fernando Távora, Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura – e por um círculo variável de amigos. Uma experiência que partilhou, que partilha, o sonho de resgatar Portugal do seu isolamento e, ao mesmo tempo não renunciar à sua identidade histórica – projecção de uma prática da arquitectura que se libertou, que se liberta, das formas históricas, mas não do carácter profundo da sua cultura. Sinal e sedimento de uma identidade não linear, talvez sejam tão só a reunião de gestos de simplicidade de quem procura (procurou) processo e pauta para a elevação da cultura do lugar, para a transformação de uma paisagem – desassossegos da arte da casa-mãe, a Arquitectura.
Assim, é objectivo contribuir para a promoção e valorização da instrução teórica e da conjectura crítica na argumentação do discurso crítico da composição: evolução da arquitectura enquanto encontro controverso entre prática disciplinar e experiência artística – criação, pensamento, conhecimento. 
O Ciclo de Conferências decorre segundo uma lógica de periodicidade constante, que se estende ritmadamente num tempo, à semelhança de um ritual que se cria na comunidade. Em todas as lições será distribuído um caderno sobre o assunto do ciclo: pequenos fascículos de uma colecção que se pretende alargada.
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Presente a condição histórica de um lugar, de uma comunidade particular – o Porto – queremos tomar como referência a “aventura comum percorrida por três personagens” – Fernando Távora, Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura – e por um círculo variável de amigos. Uma experiência que partilhou, que partilha, o sonho de resgatar Portugal do seu isolamento e, ao mesmo tempo não renunciar à sua identidade histórica – projecção de uma prática da arquitetura que se libertou, que se liberta, das formas históricas, mas não do carácter profundo da sua cultura. Sinal e sedimento de uma identidade não linear, talvez sejam tão só a reunião de gestos de simplicidade de quem procura (procurou) processo e pauta para a elevação da cultura do lugar, para a transformação de uma paisagem – desassossegos da arte da casa-mãe, a Arquitectura.
Arquitectura que é afinal um modo de aprender a modificar a circunstância, criando nova circunstância – foi, tem sido, princípio e experiência, manifesto e espaço de uma cumplicidade mínima para (a)firmar um projecto para o ofício da arquitectura, estendido, transportado e traduzido, sem grande distância criativa mas com mágica convicção, como atmosfera festiva, como abraço instalador de prática de escola. Prática mansamente cultivada como escola hospitaleira e plural na evolução do “território da arquitectura”.
Assim, é objectivo contribuir para a promoção e valorização da instrução teórica e da conjectura crítica na argumentação do discurso crítico da composição: evolução da arquitectura enquanto encontro controverso entre prática disciplinar e experiência artística – criação, pensamento, conhecimento.
À mobilidade dos significados e à complexidade dos materiais que se oferecem à construção da arquitectura, de que forma servir criativamente o destino desta como expressão e projecção física da imaginação, como experimentação e experiência, como conhecimento e acontecimento, sem subverter a sua “coerência aventurosa” pela manipulação arbitrária e abusiva da complexidade dos materiais que a constroem?
Hoje, talvez seja instrutivo e operativo aceitar que projeto, investigação, pensamento são estações problemáticas na agitação do argumento e na manifestação de sentido da marca “Escola do Porto”.
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+ info: prática(s) de arquitectura


14 conferências : 25 € (estudantes) / 30 €
1 conferência: 4 €
À venda na Ae Faup e online