Arquitectura Emancipatória \ Ethel Baraona Pohl




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Arquitectura Emancipatória
Ethel Baraona Pohl

David Green escreveu, em 1969, um artigo intitulado “Está sentado desconfortavelmente? Então irei começar”. A mesma frase podia ser usada para descrever o sentimento que tem catalisado a actual transformação da prática arquitectónica. Nesse mesmo artigo, Greene afirma igualmente “que o futuro não existe agora, pois não? Há que fazê-lo agora” e esta parece ser a directriz que tem orientado a enorme quantidade de processos colectivos baseados na inteligência de enxame [swarm intelligence] que têm emergido da cidadania e ocorrido no espaço público, no ambiente urbano e nas práticas arquitectónicas.
As formas tradicionais de resistência estão hoje relacionadas com a noção de insurreição, que é explicada pelo Comité Invisível como movimentos que se propagam não por contaminação mas por ressonância. Os movimentos arquitectónicos lutam desta forma para transformar a prática na sua génese, usando a oportunidade de estar no sítio certo à hora certa. A era do Neoliberalismo radical, os anos de Capitalismo generalizado, as crises políticas e os desenvolvimentos pseudo-tecnológicos são o palco perfeito para uma insurreição real, capaz de introduzir uma mudança radical no modo como pensamos e fazemos arquitectura. E isto acontece agora, com um conjunto variado de pequenas e médias práticas, que procuram provocar mudanças estruturais reais, através da renovação do discurso político e económico.



[3/4] Posconflicto Laboratory. Making City + Productive Housing Program in Guatemala & Central America. SUJEITO A – uma pessoa individual vivendo numa condição marginal de pobreza ou de extrema pobreza, sem qualquer possibilidade de aceder a uma casa de qualidade e com um rendimento mensal baixo. SUJEITO B – Pessoa individual vivendo numa condição marginal suburbana, com poucas opções de adquirir uma habitação em áreas urbanas centrais. © Posconflicto Laboratory. [Ver igualmente nota da imagem de capa no final do texto]
Neste novo e vasto território, a mudança no modo como a arquitectura é entendida tem sido influenciada por uma revolução no campo sociopolítico, cuja última etapa começou em 2011 com a Primavera Árabe, o 15M e o Occupy Wall Street, mantendo-se vivo este espírito, como podemos observar nos protestos de Ferguson (St. Louis, Missouri) e naqueles que agora mesmo – enquanto escrevo estas palavras – estão a decorrer em Hong Kong: a #umbrellarevolution. Dentro deste contexto, os arquitectos devem agir e ajudar a construir um espaço comum para além daquele instituído e estabelecido. Vale a pena recordar as palavras de Lebbeus Woods numa entrevista a Sebastiano Olivotto: “Paul Virilio e eu, ainda que de maneiras diferentes, partilhamos um intenso interesse nas mudanças trazidas pela inovação tecnológica, pela revolução cultural e social, pelas catástrofes naturais como os terramotos e as respectivas respostas sociais e arquitectónicas. Vejo estes casos extremos como a vanguarda de uma normalidade por vir, com a qual nos devemos comprometer criativamente agora, inventando novas linguagens, regras e métodos, caso queiramos preservar o que é essencial para a nossa humanidade, isto é, compaixão, razão, independência de pensamento e acção.” [1]
Estes últimos anos de desaceleração generalizada da economia geraram um conjunto de crises políticas e éticas, fazendo emergir variadas e evidentes manifestações dessa crise: a proliferação de edifícios abandonados em Espanha, o aumento do desemprego e a desconfiança nas formas tradicionais da democracia um pouco por toda a União Europeia. Mas depois de quatro anos de resistência popular em diversos países europeus (Espanha, Portugal, Grécia, entre outros), começam a emergir novas formas de reclamar o direito à cidade. Neste contexto – a que Lebbeus Woods chama “a vanguarda de uma normalidade por vir” – a necessidade de quebrar algumas limitações, intrínsecas ao entendimento do que é a arquitectura, é cada vez mais forte. O papel do arquitecto dissidente já não aparece enquanto figura de resistência mas como um oportunista que compreende o seu contexto e decide reagir e adaptar-se num sentido darwiniano, onde as espécies que têm êxito não são as mais fortes mas as mais flexíveis.
Compreendendo a complexidade do mundo, as respostas e os projectos que dão forma a estes novos movimentos vão para além das noções em voga como “smart cities” (“cidades inteligentes”) ou “the city as a laboratory” (“cidade como laboratório”), e em vez de se focarem numa teoria da participação simples, procuram uma prática capaz de incluir as noções de dissidente político, inteligência de enxame [swarm intelligence] e o comum, como uma base importante para o seu envolvimento activo na procura de verdadeiras respostas após as crises políticas e financeiras, a bolha imobiliária e os infindáveis discursos da austeridade e escassez. Esta metamorfose na prática arquitectónica redundou em novas formas de trabalho usando plataformas open source, passando de uma abordagem DIY (Do it yourself) para DIWO (Do-it-with-others) e aproveitando as novas tecnologias para potenciar a comunicação e o diálogo como uma ferramenta arquitectónica, acompanhada dos modelos económicos inovadores que têm surgido nos últimos anos tais como crowdfunding, micropayments e social money. Neste contexto as possibilidades são infinitas.



[5/6.] Posconflicto Laboratory. Making City + Productive Housing Program in Guatemala & Central America. PROJECTO PILOTO A, La Ceiba IV, Zona 18, Cidade de Guatemala e PROJECTO PILOTO B, 9ª Avenida, Zona 1, Cidade da Guatemala.
Os movimentos colectivos e as experiências emergentes no espaço público, na habitação e no direito à cidade são vistos como ferramentas e não como fins em si mesmos. E existe ainda a internet, que representa um instrumento sem precedentes para o mundo de fluxos em que vivemos. Este estado do mundo foi claramente definido por Michel Foucault: “Vivemos na época da simultaneidade; vivemos na época da justaposição, a época do próximo e do longínquo, do lado a lado, do disperso”[2]. Partindo desta ideia, e como reação à crise das cidades contemporâneas, os projectos relevantes são aqueles que operam através de uma estratégia bottom-up, mas longe de modas ou iniciativas efémeras, comprometendo-se com uma investigação profunda e agindo de maneira a provocar essa mudança estrutural que reclamamos para o sistema. Se decidirmos desenhar um mapa das iniciativas que operam a partir desta abordagem, o resultado pode-se relacionar com as ideias que Frederic Jameson destacou no seu livro “Archeologies of the Future”, mostrando que “as nossas imaginações são colagens de experiências, construções feitas de pedaços e peças do aqui e agora” [3]. Continuando a partir desta ideia é fundamental reconhecer que estamos neste momento a traçar caminhos para o futuro, formados a partir de todas essas peças segregadas numa terra incognita, um território para vislumbrar novos cenários para a prática.
2. Michel Foucault. "Of Other Spaces, Heterotopias." Architecture, Mouvement, Continuité 5 (1984): 46-49.
3. Frederic Jameson. Archaeologies of the Future: The Desire Called Utopia and Other Science Fictions. Verso Books (2005).
Estes novos cenários têm vindo a emergir para além de quaisquer limites geográficos ou temporais. Na Guatemala, o Posconflicto Laboratory é uma plataforma de investigação a longo prazo que procura descobrir como a arquitectura táctica pode abordar o desequilíbrio entre a habitação e a propriedade do solo. Questionando a ideia do político e a relevância da arquitectura, traçam linhas de investigação em torno da produção de espaço, começando por se focalizar, num primeiro momento, na habitação. Deste modo, com uma abordagem interinstitucional e transdisciplinar é possível trabalhar as noções de habitar e de espaço público como elementos complementares da paisagem urbana. O objectivo do projecto é abrangente e prevê um desenvolvimento por etapas lidando com problemas locais sensíveis relacionados com o conflito armado, condições de trabalho, repressão militar e política, migrações internas e segregação. Como exemplo da aplicação da arquitectura como um dispositivo mediador – capaz de produzir possibilidades tangíveis, inclusivas e credíveis para a produção de espaço comum – o projecto recorda as experiências de habitação cooperativa auto-gestionada feitas na América Central e do Sul, onde a organização do movimento se concentrava na luta pela habitação como um direito humano - e não como um luxo -, usando a propriedade colectiva como pedra basilar. Como afirma a equipa, a ideia de repensar o político, começando pela escala da arquitectura como projecto territorial, é útil para perceber que a arquitectura como projecto, no seu processo e forma, pode contribuir significativamente para a construção de um ethos alternativo, baseado em métodos comunais de confiança e solidariedade.



[7] Forensik Mimarlık, fotos de investigação, Mardin University. Architecture Faculty, Mardin, 2014.
Sediado na Turquia, o Forensik Mimarlık surgiu como uma experiência pedagógica arquitectónica que dirige o seu programa inspirado pela investigação metodológica forense em zonas de conflito, iniciada pela Forensic Architecture e levada a cabo pelo arquitecto Eyal Weizman e a sua equipa. A importante relação entre a academia e a prática está a ressurgir, depois de anos de mercantilização da educação. Tem-nos sido possível ver, através da investigação de Radical Pedagogies [4], quão importante esta relação é para o entendimento da arquitectura como uma área abrangente e as suas interacções com as outras disciplinas. Assim, vale a pena sublinhar o trabalho de Forensik Mimarlık sediado na região curda do sul da Turquia, uma zona de conflito devido à recente e intensa guerra civil entre o governo turco e o movimento curdo. O programa académico envolve a observação de como um território foi oficialmente definido como tabula rasa por estruturas hegemónicas e precisa de ser analisado e descolonizado por uma nova conceptualização a partir de casos concretos. O número crescente de campos de refugiados que se têm expandido nesta região é o ponto de partida para uma investigação mais ampla em política e economia, que pretende focar-se na arquitectura como resposta às necessidades da população migrante que chega a estes acampamentos; procura propostas de desenho futuras para este território actualmente em urbanização acelerada.
4.“Radical Pedagogies”. É um projecto de investigação colaborativo que está em curso e é organizado por Beatriz Colomina juntamente com estudantes de Programa de Doutoramento da Princeton University. “Radical Pedagogies” foca-se em novos modelos e experiências radicais no ensino da arquitectura na segunda metade do século XX. Foi parte da secção Monditalia na 14ª Bienal Internacional de Arquitectura de Veneza, e foi premiada com uma menção honrosa. Radical-pedagogies.com
Em 2004, o think-tank arquitectónico FAST, coordenado por Malkit Shoshan, anunciou o seu primeiro projecto para Ein Hawd, uma aldeia Palestiniana não reconhecida por Israel, One Land Two Systems, reclamando uma solução de planeamento sustentável para a aldeia. Depois de mais de dez anos de intenso trabalho com a comunidade local, FAST publicou recentemente os resultados dos dois projectos de longo curso: One Land (a construção do primeiro edifício comunitário e uma série de eventos públicos) e Platform Paradise, uma mostra artística comissariada pelo FAST com a curadoria de Maurizio Bortolotti. O novo plano director para – e com – a aldeia Palestiniana foi criado dentro destes dois projectos, baseado num esquema que começou com um concurso internacional de arquitectura e design, e desenvolveu-se até a aldeia ser transformada numa aldeia de artistas durante uma semana, atenuando as lacunas entre o planeamento espacial e a realidade e reforçando a capacidade da comunidade tornar-se parte activa do processo. Os efeitos de ter um mapa, uma visualização do território, e a criação de uma nova identidade espacial, transformou a percepção dos residentes e forneceu-lhes as ferramentas para participarem no seu desenvolvimento futuro colaborando no desenho do plano director. Estes esforços têm sido o solo fértil no qual a comunidade trabalhou juntamente com um grupo de artistas para criar uma extraordinária história de cultura: história, arte e arquitectura. Actualmente, os residentes de Ein Hawd estão a usar o projecto para negociar com as autoridades o seu reconhecimento pelo Estado. Nas próprias palavras do FAST, “o processo serviu como modelo para um novo tipo de prática arquitectónica, baseado na comunidade, na sustentabilidade e na política.”



[8/9] One Land Two Systems, FAST. Instalação de lazer na zona de incêndio, One Architecture. Museu aero-solar, FAST © FAST
O compromisso de longo prazo e os resultados em curso destes três casos de estudo tornam possível pensar que a arquitectura pode, de facto, ser um catalisador para uma mudança estrutural. A primeira reação à crise financeira de 2008 foi marcada pela saturação de projectos pop-up e bottom-up, sobretudo no espaço público e realizados por diferentes agentes, nem sempre arquitectos. Blogs, redes sociais, e sites especializados concentraram-se na divulgação daquilo que rapidamente se transformou numa nova tendência – o conceito de urbanismo táctico. Sem dinheiro e após todas as lutas e manifestações, muitos arquitectos começaram a juntar-se para trabalhar de um modo colectivo, reutilizando materiais para transformar as ruas em espaços públicos ou para criar espaços de troca e lazer. O uso da tecnologia e das redes sociais para conceber um território difuso entre o físico e digital foi estudado sob o conceito de “sentient city” e rapidamente apropriado pelo mercado neoliberal através do conceito de “smart cities”. A ideia de viver “numa cidade que se lembra, correlaciona e antecipa” [5], é demasiado forte para ser ignorada; e o desenho urbano dos últimos anos tem-se baseado na utilização desta força motriz. Uma onda de tecno-optimismo parecia estar na base de todos os projectos independentes construídos neste contexto e uma grande quantidade de propostas parecia estar mais concentrada no uso das ferramentas do que em procurar mudar a raiz do problema. Podemos encontrar o crowdfunding, a impressão 3D e a fabricação digital no núcleo das propostas ditas mais inovadoras, mas este tipo de propostas nem sempre foram as mais bem-sucedidas na transformação e enriquecimento da vida quotidiana dos cidadãos.
5. Mark Shepard (ed.). Sentient City. Ubiquitous Computing, Architecture, and the Future of Urban Space. MIT Press, (2011)
Os anos de 2008 até 2011 foram importantes para uma consciencialização acerca do papel dos arquitectos assim como a necessidade de se adaptarem a um novo estado do mundo… mas o que se segue depois disso?
Pondo de parte a crítica em relação a algumas modas e projectos pop-up, é importante destacar que foi o seu aparecimento e a rápida resposta a uma situação particular, assim como o espírito espontâneo que os suporta, que forneceu a base para uma importante reviravolta, oferecendo uma oportunidade para testar, avaliar e transformar alguns preconceitos do “futuro da arquitectura”. O maior desafio agora é ir mais além da ‘tentativa e erro’, para lá da efemeridade do urbanismo táctico e procurar processos estratégicos que possam responder à questão de como abordar mudanças reais no ambiente construído. Poderemos usar a arquitectura como forma de resistência e subverter o sistema? Voltando à “The Resistant Checklist” de Lebbeus Woods, é importante recordar o que aí foi escrito: “A palavra resistir é interessantemente equívoca. Não é sinónimo de palavras de negação extrema como dispensar ou rejeitar. Em vez disso, implica uma luta medida que é mais táctica do que estratégica. Viver modifica-nos de formas que não podemos prever, para o melhor e para o pior. Procuramos princípios, mas estaremos melhor se formos nós a controlá-los. Os princípios podem tornar-se tiranos, hipotecando a nossa capacidade de aprender. Quando tal acontece, também lhes devemos resistir.”
Assim, podemos relacionar estes actos de resistência como uma noção de arquitectura emancipatória, não apenas no sentido tradicional da palavra emancipação – o facto ou processo através do qual se é libertado de restrições de ordem legal, social ou políticas, uma libertação – mas pensando naquilo que Jacques Rancière menciona no seu livro “O Mestre Ignorante” considerando a igualdade como ponto de partida e não como um destino. Escreveu o autor francês: “Quem quer que ensine sem emancipar embrutece. E quem quer que emancipe não tem de se preocupar com o que a pessoa emancipada aprende. Esta aprenderá o que quiser, talvez nada” [6]. Talvez possamos parar aqui e concentrarmo-nos de novo na arquitectura. Os três projectos que aqui indicamos podem ser entendidos como uma arquitectura emancipatória: é a arquitectura que abandonou a imagem do arquitecto isolado, a solidão do herói com a resposta exclusiva a uma determinada necessidade. A arquitectura emancipatória segue o conceito exposto por Nicholas Negroponte no fim da década de 1960 “Os arquitectos desenham o problema, não a resposta” [7].
6. Jacques Rancière. O Mestre Ignorante. Edições Pedagogo, (2010).
7. Carlo Ratti, Matthew Claudel (eds.) Open Source Architecture. Einaudi, (2014).
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Ethel Baraona Pohl
Crítica, escritora e curadora [embora prefira ser Amadora Profissional]. Co-fundadora de dpr-barcelona um plataforma de investigação em arquitectura e uma editora independente sediada em Barcelona. É editora da Quaderns e contribui regularmente para revistas como a Domus, Volume e MAS Context, entre outras. Comissária com César Reyes Nájera, do terceiro programa do Think Space sob o tema “Dinheiro” e está actualmente a comissariar a exposição Adhocracy ATHENS.
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Nota de edição
Este ensaio foi produzido e publicado em “Subversive Opportunism”, publicação do Architecture Fund, Vilnius, Lithuania, 2015. Artigo original publicado aqui. Tradução para português a partir do original em inglês realizada por Ana Galrão.
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Imagem de capa
1 / 2. Posconflicto Laboratory. Making City + Productive Housing Program in Guatemala & Central America. Respondendo aos desafios do pós-conflito na Guatemala (escassez da habitação, pobreza, relações produtivas e urbanas desiguais na cidade da Guatemala) este projecto “combina a habitação com o espaço da produção – potenciando o trabalho – e relacionando-o com a emergência económica da cidade. Partindo da arquitectura, o projecto propõe um arquétipo de casa produtiva, constituído por um centro comunitário de desenvolvimento, um pátio-pórtico e um protótipo de casa produtiva capaz de se adaptar a diferentes tecidos urbanos e densidades”. Cf. Posconflito Laboratory. PROJECTO PILOTO A, La Ceiba IV, Zona 18, Cidade de Guatemala. O PROJECTO A procura dar ao SUJEITO A possibilidade de aceder a habitação adequada, desenvolvendo actividade produtivas no sítio e integrando-o nas zonas centrais urbanas. O projecto é organizado numa cooperativa auto-gestionada baseada em ajuda mútua e propriedade colectiva. O PROJECTO PILOTO B, 9ª Avenida, Zona 1, Cidade da Guatemala, partindo da figura do SUJEITO B, procura dar às famílias da classe média acesso a habitação em zonas centrais da cidade. O lucro gerado pelo aluguer destas unidades de habitação e comerciais irá ser revertido para o financiamento do PROJECTO A. © Posconflicto Laboratory [N.E.]