AIRES MATEUS: Voids
Exposição | Appleton Square | LX
01 Julho – 17 Setembro
Praticar o Vazio
Voids [Vazios] é o nome da instalação que Manuel e Francisco Aires Mateus apresentaram em 2010 na 12ª Bienal de Arquitectura de Veneza. A exposição, comissariada por Kazuyo Sejima, com o título “people meet in architecture” explorava o modo como a arquitectura participa na criação de novos valores e modos de vida.
Para os Aires Mateus esta instalação não é sinónimo de uma proposta de acção, mas explora uma metodologia arquitectónica e desenvolve um pensamento: não estão em causa conteúdos específicos, formas concretas, gestos imobilizados na matéria ou o estabelecimento de tipologias e hierarquias. Neste contexto o Vazio, diferente do nada, apresenta uma possibilidade de desenvolvimento, um ponto de partida, um elemento de organização espacial e, sobretudo, uma vocação estrutural.
Trata-se de praticar o Vazio no espaço e neste aspecto estes gestos arquitectónicos aproximam-se dos da escultura minimalista. Na medida em que estes artistas souberam pôr em acção através dum cubo negro (T Smith), ou de placas de aço cortén (Serra), ou do jogo da conjugação de cubos (Sol LeWitt), uma construção espacial que se caracteriza não pela adição de formas, volumes e matérias, mas através do esvaziamento das estruturas espaciais mais elementares. Trata-se de um princípio de negatividade que combate o excesso de forma, presença, linguagem e expressão.
A instalação VOIDS é constituída por quatro massas brancas que emergem de uma noite negra e surgem aos corpos que as percorrem como golpes de luz a revelar territórios. Estes golpes de visibilidade não anulam a noite, mas obrigam à descoberta de uma dupla profundidade espacial: a de cada corpo humano, que pode transportar consigo a humanidade inteira e, ao contrário de muitas expectativas, a do próprio espaço enquanto construção plástica, sensível, energética, evocativa.
Pode dizer-se tratar-se de um plano que simultaneamente excede a arquitectura (enquanto estrutura material específica) e é a sua condição: uma espécie de meta-arquitectura que situa as suas formas além do princípio de visibilidade e do reconhecimento formal, material e funcional do que se vê. Por isso, nestes territórios não há casas, nem abrigos, nem construções, mas pontos de intensificação do olhar e de energização da paisagem.
Nuno Crespo | Julho 2011
Curadoria: Nuno Crespo
De Manuel Aires Mateus e Francisco Aires Mateus
Com a colaboração de Ana Bacchetta, Jorge P Silva, Josep Pons, Alice Dolzani
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+ info : appleton square
