// ABOUT PUNKTO
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Punkto
é uma revista irregular, imprevisível e in-disciplinada sobre limites: da
prática, da teoria, da arte, da arquitectura
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«O ponto não é estabelecer um sistema de
referências, instituir leis, consumar um mecanismo. Digo que o ponto é
propiciar o aparecimento de um espaço, e exercer então sobre ele a maior
violência. Como se o metal acabasse por chegar às mãos – e batê-lo depois com
toda a força e todos os martelos. Até o espaço ceder, até o metal ganhar uma
forma que surpreenda as próprias mãos. Que se escreva o poema com o próprio
sangue (Nietzsche) não pode ser, que o canteiro se transmude na pedra (Rilke) não
pode ser: tem de haver um milagre situado um pouco mais longe. Que a palavra
sangrenta e a pedra onde se passa a respirar estejam à distância de espantar
quem se é. Eu sou isto? Não entendo nada? Preciso ver noutro espaço».
HERBERTO HELDER, DESENHO
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«O segundo elemento vem quebrar (ou escandir) o
studium. Desta vez, não sou eu que vou procurá-lo (como eu invisto com a minha
consciência soberana o campo do studium), é ele que salta da cena, como uma
seta, e vem trespassar-me. Existe uma palavra em latim para designar essa
ferida, essa picada, essa marca feita por um instrumento aguçado; essa palavra
convinha-me sobremaneira porque remetia também para a ideia de pontuação e
porque as fotos a que me refiro estão efectivamente pontuadas, por vezes, até
salpicadas, por esses pontos sensíveis. Essas marcas, essas feridas são,
precisamente, pontos. A este segundo elemento que vem perturbar o studium eu
chamaria, portanto, punctum; porque punctum é também picada, pequeno orifício,
pequena mancha, pequeno corte – e também lance de dados. O punctum de uma
fotografia é esse acaso que nela me fere (mas também me mortifica, me
apunhala)».
ROLAND BARTHES, A CÂMARA CLARA
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«O que faz que uma questão seja considerada como
filosófica ou como politica ou como social ou como estética? Se a emancipação
tem um sentido, este sentido está justamente na reivindicação de um pensamento
pertencente a todo o mundo, sendo que não há divisão natural dos objectos de
pensamento e que uma disciplina é sempre um reagrupamento provisório, uma
territorialização provisória de objectos e de questões e de objectos que não
têm por eles próprios uma localização ou um domínio próprio».
JACQUES RANCIÈRE
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